Wagner Moura começa as gravações de filme sobre Marighella

A cinebiografia estava em desenvolvimento desde 2013, mas somente agora começou a ganhar forma e promete levantar polêmicas na sociedade brasileira.

Estreando na indústria cinematográfica como diretor, Wagner Moura e sua equipe abriu o mês de dezembro iniciando as gravações de seu primeiro filme que contará a história do guerrilheiro e inimigo número um da ditadura militar, Carlos Marighella, morto em novembro de 1969 por agentes do Departamento de Ordem e Política Social (DOPS). O filme promete ser uma mistura de política, história e ação – um dos ramos escassos do cinema brasileiro.

O então diretor, em entrevista recente para o programa “Conversa com Bial”, da Rede Globo, apresentado pelo jornalista Pedro Bial, disse ter encontrado dificuldades para levantar recursos financeiros e dar continuidade ao processo de produção do longa, como as empresas de iniciativa privada, sobretudo os departamentos de marketing, recusarem-se a patrocinar um filme que evidencia as atrocidades exercidas por militares durante a ditadura no Brasil, além das críticas recebidas pelo contrato com leis de incentivo à cultura.

O longa mal começou e já revela surpresas: cantor, compositor, e também ator, Seu Jorge foi escalado para dar vida ao personagem principal, e encenará nas telas gigantes ao lado de atores como Adriana Esteves e Bruno Gagliasso. O estreante na direção pretende mostrar Carlos Marighella como um modelo de resistência, principalmente na conjuntura política vivenciada atualmente no país. “[Marighella] é um personagem fundamental na nossa história recente, que foi apagado do nosso histórico pela ditadura militar”, diz Wagner, sobre o protagonista.

A obra é uma adaptação do livro “Marighella – O guerrilheiro que incentivou o mundo” escrito por Mário Magalhães, que recentemente teve seu contrato encerrado pelo site de notícias UOL para concentrar-se na biografia do jornalista Carlos Lacerda. “O meu filme, na verdade, é um filme sobre Marighella, é um filme sobre luta armada, mas é, sobretudo, sobre a infâmia, sobre a forma mentirosa com que a história pode ser contada”, conclui.

O longa será produzido pela O2 Filmes (que já realizou películas como Cidade de Deus e Blindness) e co-produzido pela Globo Filmes, mas ainda não possui data de estreia.

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