The Handmaids Tale: a importância do protagonismo feminino em séries

Nessa distopia, terroristas matam o Presidente dos Estados Unidos que agora é governado por um grupo totalitário e religioso cujo princípio é restaurar a paz no país. A ex potência agora se chama República de Gilead, um lugar onde as minorias e mulheres perderam todos os seus direitos.

Acontece também uma catástrofe ambiental, fazendo com que várias mulheres se tornem estéreis. Então, baseando-se em versículos bíblicos, o governo rapta mulheres férteis para se tornarem escravas sexuais, porém na visão deles não é dessa forma, dos líderes dessa facção.

Uma vez sequestrada, as mulheres sao levadas para uma espécie de centro de treinamento onde aprenderão como se portar diante de seus senhores, seus deveres na sociedade, a religião e a Cerimônia.

Após o treinamento, elas são expostas a casais que desejam ter filhos, para escolherem a que aos seus olhos seja a melhor. Isso lembra vocês algo que acontecia muitos anos atrás com negros?

Uma vez escolhida, a aia vai para a casa de seus senhores recebendo então um nome novo a cada mudança. Por exemplo, June, agora conhecida como Offred recebe esse nome devido o nome do Comandante ser Fred. Of-Fred (De Fred).

Acontece uma vez por mês a Cerimônia, que seria as mulheres sendo estupradas pelo seu senhor, ficando entre as pernas de sua senhora, um ritual maluco mas que para eles significa a união da aia com a esposa, devido a posição delas, fazendo com que o sexo acabe sendo com a esposa.

Antes disso tudo acontecer, June tinha uma família, amigos, trabalho que acaba perdendo tudo aos poucos (você saberá exatamente com os flashbacks).

Quando vi fotos da série, achei que se tratava de uma história que se passava em tempos antigos, devido as vestes e a breve sinopse que me contaram. Mas não. A história se passa nos tempos atuais, o que torna tudo ainda mais assustador e até mesmo mais provável.

O que torna a série tão elogiada não é apenas pelo que citei acima, mas pela crítica social e o tema abordado. Para nós mulheres, conquistar o direito a liberdade, estudo, voto, trabalho, a ser mulher, sempre veio com grande luta e lentidão. Então imagine, você mulher, dona de si, de uma hora pra outra perde seu emprego, suas propriedades, seu direito a ler, a circular pela sua cidade e até mesmo o seu nome. É exatamente isso o que acontece em The Handmaid’s Tale.

O fato de afirmarem que exclusivamente as mulheres acabaram se tornando estéreis e nem sequer cogitarem a possibilidade de homens se encontrarem nessa condição, já mostra como até mesmo as esposas dos Comandantes são tratadas.

A série vai te despertar sentimentos como raiva nojo, nem sempre será fácil assistir, mas é preciso assisti-la, é preciso falar sobre o assunto abordado. A luta por nossos direitos nunca foi tão forte e apoiada, tantas conquistas conseguimos diariamente e a série aborda isso, o retrocesso, luta pela sobrevivência, o papel da mulher  em uma sociedade machista.

Eu preciso falar também do fenômeno chamado Elisabeth Moss. A forma como essa mulher atua, o modo como ela consegue falar pelo olhar, a emoção transmitida… O show não seria o mesmo sem essa atriz.

The Handmaid’s Tale na minha opinião, se torna a melhor serie de drama de 2017. Pelo seu grande sucesso, já foi renovada para sua segunda temporada que será lançada esse ano.

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