The Batman – Motivos para a Mulher-Gato de Zoe Kravitz ser a melhor até hoje



Apesar de recente, muita gente já considera Zoe Kravitz a melhor Mulher-Gato. Em “The Batman“, o diretor Matt Reeves renuncia à história de origem de Bruce Wayne para explorar o psicológico de um jovem e inexperiente Cavaleiro das Trevas. Mas, por mais que o filme seja uma espécie de estudo sobre o anti-herói, o Batman de Robert Pattinson compartilha os holofotes com a Mulher-Gato de Zoe Kravitz.

Tradicionalmente, a Mulher-Gato é uma vilã direta (ou até mesmo secundária) nos filmes do Batman, mas o longa de Matt Reeves a apresenta como uma personagem principal com intenções nobres e motivações pertinentes.

Selina Kyle já foi retratada na tela por atrizes icônicas como Julie Newmar e Michelle Pfeiffer – e essas performances foram inegavelmente fantásticas –, mas a virada sutil e vulnerável de Kravitz em The Batman pode ser a melhor até agora. Ela não interpreta Selina como um arquétipo noir dos quadrinhos; ela a interpreta como um ser humano real.

A seguir, entenda os motivos pelos quais a Mulher-Gato de Zoe Kravitz pode ser a melhor de todas até hoje.

Como nos quadrinhos a Mulher-Gato assume uma posição de “femme fatale”, ela geralmente é retratada nos cinemas com este arquétipo. No entanto, a versão da personagem em “The Batman” é muito mais tridimensional e humana do que o retrato padrão da antagonista.

Na trama, ela não é um monstro indiferente que mata por diversão. Pelo contrário; ela tem relacionamentos significativos com amigos e familiares (e, obviamente, com Batman) que influenciam as escolhas que ela faz.

O estilo distinto de Reeves em “The Batman” traz muitos clássicos da década de 70 – desde as entradas do diário de voz de “Taxi Driver” até as chocantes reviravoltas de “Chinatown”. Porém, a influência mais direta e clara na história vem do clássico neo-noir de Alan J. Pakula, “Klute”. “Klute” foi o primeiro capítulo da trilogia “paranoia política” de Pakula, seguido por “A Última Testemunha” e “Os Homens do Presidente”.

O Batman de Pattinson preenche o papel de Donald Sutherland como um detetive cansado, enquanto a Mulher-Gato de Kravitz homenageia Jane Fonda como a testemunha de rua pela qual ele se apaixona enquanto ela ajuda em seu último caso. Essa dinâmica familiar traz um novo ângulo para a relação do Morcego e da Gata na tela.

A Mulher-Gato é tradicionalmente retratada como uma sociopata insensível e de coração frio, mas a representação de Kravitz é muito mais fundamentada e equilibrada. Em “The Batman”, esta versão da personagem parece mais um ser humano real.

Diferente do esperado, a Selina de Kravitz não é imune às emoções que surgem quando ela se lembra da morte de sua mãe ou ouve o assassinato de sua colega de quarto em uma mensagem de voz – ela abraça e expressa esses sentimentos.

Como uma vigilante mascarada que limpa a sujeira das ruas de Gotham City, a Mulher-Gato tem muito em comum com Batman. Mas Kravitz sabe bem qual a principal diferença entre os dois. Em entrevista à Variety, ela disse: “Batman representa um tipo de poder masculino e a Mulher-Gato representa um poder muito feminino”.

Como um lobo solitário, sombrio, taciturno e violento, que lida com seus problemas emocionais acumulando riquezas e espancando criminosos, Batman simboliza a masculinidade em um nível quase satírico. Já Kravitz descreveu Selina como “um pouco mais complicada [do que Bruce] e mais suave também. Eu gosto da ideia de que você pode ser suave, gentil, e ainda ser muito poderosa e muito perigosa.”

Reeves dirigiu algumas das melhores cenas de luta do Batman em “The Batman” – de espancar bandidos em uma estação de trem a desarmar homens armados em um corredor escuro para afastar os atiradores que seguiam Charada – mas ele também deu tempo de tela para algumas brigas diferentes, cortesia da Mulher-Gato.

Este filme tem algumas das ações mais emocionantes da Mulher-Gato até hoje. Seu estilo de luta é incrivelmente acelerado, com muitos chutes altos em rápida sucessão e movimentos elegantes e ágeis, em contrapartida à notória estratégia de força bruta desenfreada do Morcego.

A maioria dos atores que assumem papeis vindos dos quadrinhos está mais interessada na diversão de interpretar o super-herói do que o alter ego. O que torna Kravitz como Mulher-Gato tão diferente é justamente o contrário: ela está mais interessada no ser humano que usa a máscara do que no que a máscara representa.

“The Batman” dá muito mais tempo de tela ao super-herói titular do que ao bilionário órfão sob o capuz, mas seu retrato sob a Mulher-Gato é mais focado em Selina do que em sua personalidade de vigilante. Este filme deixa o público tão interessado na própria Selina que ele não precisa pensar em Selina como a “Mulher-Gato sem a máscara”, e sim ” a Mulher-Gato é a Selina com uma máscara”.

A Mulher-Gato de Kravitz pode ser a primeira na história da franquia a retornar nos próximos filmes. Tudo indica que ela terá um arco de personagem de longa duração ao lado da própria jornada de Batman, em um universo cinematográfico ainda maior. Michelle Pfeiffer, Halle Berry e Anne Hathaway só interpretaram a Mulher-Gato em um único longa, mas “The Batman” configura um arco para Selina que poderia continuar pelo resto da trilogia (e além).

Nos próximos anos, Kravitz pode trazer a mesma profundidade e longevidade para Selina Kyle que atores como Robert Downey Jr. e Scarlett Johansson trouxeram para seus papeis na Marvel. Por isso, “The Batman” é uma ótima introdução para a Selina de Kravitz – mas esperamos que este seja apenas o começo.