Pantera Negra carimba inauguração de cinemas na Arábia Saudita

Após 35 anos, o país conhecido por seus moldes ultraconservadores terá a capital Raid como ponta pé inicial para a abertura de salas de cinema.

Na década de 1970, o reino árabe obtinha alguns cinemas abertos ao público da região. Mas, a partir dos anos 80, islâmicos pressionaram a indústria de entretenimento com o intuito de continuarem a segregação de gênero vivenciada em todo o país. Entretanto, não adiantou muito.

Apesar de a população saudita ter se virado a uma ideia conservadora, parte dela se dirigia para os Emirados Árabes Unidos e outros locais próximos, na tentativa de consumir produtos audiovisuais, sobretudo americanos, como filmes e séries.

A iniciativa da reabertura de 40 salas de cinema é liderada pelo herdeiro Mohammed bin Salman, o sexto filho de Abdulaziz ibn Saud (fundador do reino árabe), que tem como objetivo principal estimular a movimentação da economia árabe, tornando o país menos independente do petróleo, além de permitir que mulheres também passem a dirigir veículos — ainda em 2018, a Arábia Saudita era o único país no mundo a impedir que pessoas do gênero feminino pudessem tirar a carteira de motorista.

Ele, que já ocupa o trono desde 2015, está deixando as tradições de lado e visa modificar consideravelmente as condições culturais sauditas, o que gera especulações a cerca do futuro do país. Sua nova estratégia faz parte do plano Visão 2030, cuja intenção é diversificar economicamente o reino por ele administrado.

O projeto foi anunciado pelo Ministério da Cultura e Informação da Arábia Saudita na última quarta-feira (04), e já possui data para inauguração: 18 de abril de 2018. A produtora americana AMC Entertainment Holdings inicia a licença, pretendendo liberar 15 cidades nos próximos cinco anos para vivenciarem esse momento. Em comunicado, Awwad Alawwad, ministro da Cultura e Informação, afirma:

“A reabertura de cinemas ajudará a impulsionar a economia local, aumentando os gastos das famílias com entretenimento e apoiando a criação de empregos no reino”.

Foto de Will Oliver/Bloomberg.

Pretende-se, ainda, que as salas de cinema não sejam separadas por gênero, como assim ocorre nos demais espaços públicos da região. Uma iniciativa que destrói com uma tradição explicitamente conservadora. Salvo isto, Pantera Negra é um filme que tem retocado as visões brancas, sobretudo europeias, a respeito de negritude e representatividade negra.

O filme estreou no restante do mundo em 15 de fevereiro deste mesmo ano, e, somente no Brasil, tem liderado o ranking de bilheteria. Já foram somados cerca de R$ 96 milhões de faturamento em apenas dois meses, seguido de Os Farofeiros que, até então, arrecadou o total de R$ 7,6 milhões.

Pantera Negra é o produto audiovisual com maior bilheteria em toda a história dos cinemas mundiais, acumulando quase US$ 1,300 bilhões, ultrapassando Frozen – Uma Aventura Congelante, que foi lançado em 2014. A película é dirigida por Ryan Coogler, e possui no elenco nomes como Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, e Forest Whitaker.

Confira o trailer abaixo.

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