Obscurial: representação no Mundo Bruxo da opressão sofrida pela comunidade LGBT

Em Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016) conhecemos um pouco mais sobre Newt Scamander (Eddie Redmayne), suas aventuras em Nova York e um novo tipo de magia, o Oscurial, uma força parasitaria desenvolvida por jovens bruxos que sofrem represálias e são obrigados a esconder sua magia dentro de si e quem realmente são, transformando-se em um Obscurus.

Credence Barebone (Ezra Miller) é um jovem americano, filho adotivo de Mary Lou Barebone, a líder de um grupo anti-bruxaria, que abusava fisicamente do rapaz, fazendo com que ele suprimisse sua magia. A escritora J.K Rowling, deu uma declaração trazendo mais informações sobre o assunto:

Um Obscurus é desenvolvido em condições muito especificas: trauma associado com o uso da magia, ódio internalizado da própria magia e uma tentativa consciente de suprimi-la.

Ainda na saga Harry Potter, nós fomos possivelmente apresentados a outro Obscurus, Ariana Dumbledore, irmã de Alvo Dumbledore, que, aos seis anos, enquanto usava sua magia, foi agredida fisicamente por garotos trouxas, traumatizando-a e fazendo com que ela guardasse sua magia para dentro de si, tornando algo incontrolável.

Como é de conhecimento pelos fãs da saga, a autora faz inúmeras referências com a vida real. Obscurial faz referência e representação a todas as pessoas que precisam esconder quem são por medo de represálias. É o caso das pessoas LGBT.

Todos os dias pessoas são violentadas física, verbal e psicologicamente apenas por serem quem são. Em muitos, o medo, a dor e até mesmo vergonha podem afetar na personalidade da pessoa, fazendo com que a mesma se reprima e esconda quem é. No mundo bruxo, os Obscurus não aguentam tamanha força das trevas e acabam morrendo. Segundo índices de pesquisadores, a taxa dos jovens LGBT que tentam ou cometem suicídio são maiores do que as do jovens que não fazem parte desse grupo.

A escritora, usando de toda a fantasia permitida pelo mundo que foi criado, nos mostra a triste realidade de milhares de pessoas diariamente. A dor, angústia, vergonha e medo que essas pessoas sentem e precisam guardar pra si apenas por desejarem viverem da forma como se sentem bem.

Nesse mês do Orgulho LGBT é necessário que seja celebrado todas as vitórias já conquistadas mas reforçar a luta pelos direitos da comunidade LGBT para que as futuras gerações não venham a sofrer esse tipo de opressão.

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