Mogli: entre dois mundos é sombrio, tenso e visceral

A produção em live-action da Netflix, Mogli: entre dois mundos, explora o lado sombrio de um dos clássicos da Disney.

Mais uma adaptação em live-action dos filmes da Disney, ganhou as telas, desta vez pela Netflix. A história de um menino que perde a família, e passa a ser criado por uma alcatéia de lobos, já é conhecida pelo público, principalmente por quem já conhece a animação de 1967 e o live-action dos cinemas, Mogli: o menino lobo, lançado pela própria Disney em 2016.

Em Mogli: entre dois mundos, longa dirigido por Andy Serkis, ganha uma visão sombria e tensa, dispensando inclusive os musicais da animação original. Com uma interação visceral e densa, a relação entre Mogli e os animais que os cercam desde o seu surgimento na selva, até o crescimento, é muito bem externada dentro do filme com total profundidade.

A complexidade da produção traz uma trama interessante entre os quais o personagem é criado, e sua ancestralidade ligada ao mundo dos homens, sendo uma história que transcede dos dois lados. O roteiro de Callie Kloves, também contribui nesse aspecto. Com diálogos e interações profundas entre os personagens, contribuindo inclusive para a narrativa, em uma história muito bem contada e desenvolvida, indo dos momentos mais temerosos devido a ameaça constantemente sentida até os emocionais. Uma jornada completa e bem estabelecida ao protagonista.

O filme conta com um time de artistas reconhecidos em Hollywood, como: Benedict Cumberbatch (Shere Khan), Christian Bale (Bagheera) e Cate Blanchett (Kaa). As vozes são bem definidas e transmitem fidelidade durante as cenas mais emotivas.

Cena de “Mogli: Entre Dois Mundos”.

A captura de movimento por parte da atuação é notório. Os animais possuem uma expressividade evidente no decorrer do filme. Apesar disso, o live-action de 2016 lançado pela Disney, ganha enquanto visual. A produção Netflix peca nas características estéticas, principalmente na ambientação da selva, sendo um tanto quanto artificial.

O ator Rohan Chand, intérprete de Mogli, se torna um dos principais pontos altos no filme. Com uma atuação admirável, Chand consegue expressar fielmente as emoções e transmitir o espírito aventureiro de seu personagem.

No final, a produção se difere ao agregar um clima sério e sombrio a obra, com um enredo atrativo e intrigante. Apesar de ser uma história conhecida do público infantil, Mogli: entre dois mundos não é exatamente um filme direcionado a tais espectadores, mas é uma boa indicação para o público adulto que já prestigiou a animação e pretende ver uma história bem mais intrínseca nas telas.

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