Lady Bird A Hora de Voar: dramático, mas pouco emocionante

O filme emociona, porém não toca profundamente o espectador, sustentando características de filme indie.

Todos os anos, na categoria de Melhor Filme no Oscar, temos um indicado que sempre se mantém na média e agrada certos públicos, mas faz outros simplesmente o odiarem. O filme deste ano que causou tal sentimento de revolta foi Lady Bird – A Hora de Voar, drama adolescente que toca, mas emociona pouco o espectador e sustenta características de filme indie.

Lady Bird ou Christine (Saoirse Ronan) é uma adolescente que vive no interior da Califórnia, Sacramento, e tem problemas de relacionamento com sua mãe simplesmente por todas mudanças que os adolescentes passam durante essa fase da vida. Os hábitos, a rebeldia, a escola, o sexo, a responsabilidade da faculdade, o status acadêmico, dentre tantos outros aspectos que moldam o ser no decorrer dessa etapa.

Greta Gerwing (Nights and Weekends) comanda o filme durante uma hora e meia, e apresenta um drama contundente ao espectador, mas peca em momentos extraordinários onde mesmo sendo um filme surpreendentemente dramático poderia abusar de clímax no roteiro, e acaba perdendo toda a carga e potencial que a película poderia ter. Mas é claro que a responsabilidade disso não é exclusivamente da diretora, mas do conjunto da obra que se perde em seus próprios sentimentos.

A atriz Saoirse Ronan cumpre seu trabalho e nos entrega uma adolescente conturbada e exponencialmente complicada, o que acaba sendo um belo filme para a juventude, entrando no hall de “filmes para adolescentes”, junto com outros títulos como As Vantagens de Ser Invisível (2012) ou o clássico O Clube dos Cinco (1985). A mãe da adolescente, Marion (Laurie Metcalf), também faz jus à protagonista e nos coloca no centro de tudo.

A obra fílmica tem poucos momentos de emoção, apesar de ser muito tocante em outros. O que contribui e agrega isso são a trilha sonora e a fotografia trabalhadas e entregues em harmonia, mesmo em pequenas oportunidades no roteiro.

A personagem Lady Bird, pelo menos, nos faz refletir como os adolescentes em geral, como eu ou você, leitor, temos nossas frustrações diárias e precisamos nos reafirmar a todo momento, mostrar para nossos pais como somos capazes, que temos personalidade, esboçando opiniões, pintando o cabelo em uma cor diferente ou adotando um novo nome. Tudo isso, talvez, para nos colocar no centro das atenções e demonstrar o que somos. E é isso que este filme nos ensina ou pelo menos ensinou ao crítico que vos fala.

Portanto, Lady Bird – A Hora de Voar é o nosso ponto fora da curva do Oscar 2018. O filme independente que certamente ganhará o título de “cult” daqui a uma década, pois já o assegura. Vale a pena assisti-lo, tanto pela mensagem jovial quanto sobre questões inerentes ao feminino e ao momento que vivemos no cinema mundial.

O filme estreia nas terras nacionais em 15 de Fevereiro deste ano.

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