Benzinho: Um importante retrato sobre tempo e saudade

O longa te faz se identificar com a trama e personagens de forma especial e particular.

Obviamente, poderia ser representado no Oscar desse ano por motivos óbvios, porém é fundamental que o telespectador não crie expectativas perante a isso – por motivos óbvios também. Começa, primeiramente, trazendo vários temas à tona que se desenvolvem no decorrer das interações, como: agressão familiar, despedida que um ente querido e problemas financeiros.

O filme é honesto, de modo que trata aquelas temáticas de maneira singela, porém ambiciosa. A despedida do filho, na concepção da mãe, é algo desesperador, embora não demonstrar isso, a grosso modo, é perceptível seu sofrimento e sentimento. Benzinho talvez seja a representação mais sincera vista de saudade e família no cinema nacional.

É notável que passam por dificuldades, porém o amor ali é primordial e notadamente visto. Karine Teles (Fala Comigo, 2016), por sinal, entrega isso com brilhantismo em uma atuação plena que demonstra a grandiosidade de sua personagem em poucos olhares. Nós sentimos o que ela passa, portanto empatia rápida é logo criada. O potencial de uma grande atriz pode ser identificado assim, e ela, com certeza, é uma. É válido observar que no filme Que Horas Ela Volta? (2015), a intérprete também apresenta uma performance completamente diferente.

Filme “Benzinho”, 2018.

Voltando para a questão familiar, o longa é sensível, mostra união e intrigas de forma natural – enxerga-se realmente uma família. Aos tapas e beijos, o casal se ama, os pais amam os filhos e as irmãs são unidas. É uma obra sincera até em mostrar a construção desses laços e como em consequência podem ser ameaçados. A película poderia cair no esquecimento apelando por clichês, porém Benzinho decide ser mais ambicioso, e prefere apelar para o emocional.

Através de poucas sequências, o público se sente orgulhoso daqueles personagens: da irmã, que apanha do marido mas não abaixa a cabeça; do pai, que faz o impossível com pouco dinheiro; e da mãe, que se forma no ensino médio já adulta e ainda concilia a família de quatro filhos com trabalho. Você sente orgulho disso, sério.

“Eu não posso te deixar, te deixar, querida minha”.

Benzinho é uma estraia atípica nacional que mostra como o potencial de nossa arte é grande, brinda o telespectador de forma glamourosa com fotografia delicada e singela (que, apesar de modesta, é esteticamente refinada) e atuações formidáveis, além de um roteiro que conversa com o público, emociona e levanta questões perante assuntos de cunho familiar e determinados valores. Certamente, merece uma vaga na temporada de premiações desse ano. Confira o trailer.

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