As consequências do monopólio da Disney

O quanto a recente aquisição da Disney pode impactar nos lados econômicos e artísticos das produções audiovisuais em Hollywood?

A recente notícia da nova aquisição da The Walt Disney Company, deixaram muitos fãs da Marvel eufóricos com o retorno do X-Men, dando destaque à possíveis reboots que poderão ser produzidos futuramente, porém, as consequências deste monopólio podem ultrapassar os saldos positivos dessa compra.

Compra da Fox pela Disney, em ilustração da Variety

Com essa fusão, a Disney se torna proprietária de 27% de toda indústria cinematográfica, segundo o site ScreenRant. Juntamente à FOX, ambas se tornam detentoras da maior parte da produção artística hollywoodiana anual, seja no contexto nacional ou internacional. Gerando um impacto ainda maior, tornando-se dona da franquia N° 1 em bilheteria mundial “Avatar”, do diretor James Cameron, é o maior negócio já realizado na história do cinema.

Dentro do contexto artístico, a unificação das duas empresas de entretenimento podem trazer efeitos positivos principalmente para a Disney, ganhando mais chances de indicações à grandes premiações do ramo, além de aumentar as expectativas positivas dos fãs quanto ao futuro do universo X-Men trazendo de volta à Marvel, proporcionando á ideia de possíveis produções que reúnam os principais super heróis.

Mesmo assim, a unificação da FOX e da Disney pode interferir negativamente quanto a diversidade de criação artística, pois tendo a fama de ser conservadora, muitos ficaram preocupados com a notícia, a exemplo dos fãs do mercenário Deadpool, conhecido por fazer piadas envolvendo conteúdo para maiores e cenas de ação mais violentas, retratadas no seu primeiro longa, lançado em 2016.

O controle total sem concorrências também pode influenciar diretamente em um bloqueio de inovações criativas de novas peças audiovisuais, gerando diminuição na quantidade das produções. Mas, também, vale ressaltar que a negociação ainda pode ser interrompida pelas leis americanas, a mesma pode levar mais de um ano de análises dos contratos, podendo gerar multas maiores que UR$ 2 bilhões, caso o monopólio não seja aceito.

Gigantes do Streaming: Disney vs. Netflix
Imagem retirada da internet

A Netflix é uma das principais concorrentes no mercado de entretenimento, servindo não apenas como produtora mas também como distribuidora de conteúdos, e que certamente sofrerá as consequências deste novo acordo. Devido a dependência de uma única empresa para garantir o fornecimento de filmes e séries, vem associada à notícia de que a Disney lançará sua própria plataforma de streaming, encerrando o licenciamento com a Netflix a partir de 2019, causando ainda mais impactos na indústria de entretenimento, aumentando exponencialmente a sua influência no mercado.

Tudo isso poderá causar uma perda considerável para a Netflix, mesmo que atualmente tenha conquistado clientes fiéis. A Disney terá conteúdo de sobra para atrair inúmeros assinantes à sua plataforma – a também dona da Pixar, Marvel e da Lucasfilm, já deu indicações de planos futuros para mais produções com o anúncio recente de uma nova trilogia e uma série de TV live-action da saga Star Wars, investindo altamente em seu serviço de streaming.

Ainda que a Netflix trabalhe no ramo de distribuição de produtos audiovisuais, existe um plano de que até 2020 metade de todo o conteúdo disponível na plataforma seja produzido pela própria empresa ou de licenciamento direto com os seus produtores. Essa política, adotada em 2013, tem a finalidade de impor maior independência no mercado do entretenimento. No final das contas, cabem à nós, ávidos consumidores de filmes e séries, investir altos valores em mais um serviço de streaming para garantir a absorção dos conteúdos produzidos por ambas.

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