‘Hebe A Estrela do Brasil’ e a força feminina contra a ditadura

Acredita-se que Hebe Camargo foi, e maravilhosamente ainda é, uma das mulheres mais importantes da TV brasileira. Dona de trejeitos memoráveis, uma cinebiografia em algum momento seria inevitável, e, finalmente, ela está entre nós com Hebe – A Estrela do Brasil.

As últimas cinebiografias que tivemos dentro das salas de cinema focaram no período mais sensível do Brasil: a Ditadura. Com Hebe não foi diferente, ao contar a trajetória da apresentadora entre a saída dela da Rede Bandeirantes e a entrada no Sistema Brasileiro Televisão (SBT). Dentro dessa trajetória, outros grandes nomes da televisão à época também surgem durante a obra, como: Dercy Gonçalves, Roberta Close, Silvio Santos, Ultraje a Rigor, e Los Menudos.

Antes da estreia do filme, Andréa Beltrão concedeu uma entrevista para o Fantástico dizendo que esse foi um dos papéis mais difíceis da carreira, até então. De fato, Beltrão entrega com maestria, porém com as devidas ressalvas. Andréa, apesar de tudo, deixa escapar um certo exagero em situações que não cabem. 

Entretanto, o que chama atenção na construção não-linear do roteiro são as ideias pregadas ali. O enfrentamento à Ditadura Militar, o apoio à causa LGBT, o machismo dentro da indústria televisiva dentre tantos outros assuntos — isso tudo sendo possibilitado, como já dito, à não-linearidade da trajetória da apresentadora. O recorte escolhido a mostra já consolidada dentro da TV, na qual manda e desmanda a qualquer momento, afinal mesmo após o fim da censura, os censores foram mantidos a fim de garantir os “bons costumes”.

Entretanto a relação de Hebe e Marcello durante o filme é uma das sub-tramas mais interessantes. Imagem: Divulgação

A obra está bem longe da perfeição. Existem alguns excessos dentro da narrativa que poderiam ser facilmente cortados. A relação entre Marcello (Caio Horocwiz), filho de Hebe, e o pai, às vezes leva o espectador a lugar nenhum. Mas, ainda assim, eles batem na mesma tecla diversas vezes. Tal como a relação de Marcello com os empregados, entendemos o que aquilo quer dizer, mas repetir diversas vezes não é “encher linguiça”?

Destaque positivo também vai para Marco Ricca, que interpreta Lélio, marido de Hebe. A curva narrativa é interessante dentro da perspectiva de como ele se sentia ao viver na sombra dela? Fora os constantes ataques de ciúme, que rendem a sequência mais pesada da obra.

Aspectos técnicos como fotografia e trilha sonora são responsáveis por nos colocar na década de 1980, mesmo com a maioria do filme sendo rodado em ambiente 100% controlado, com ausência de externas. 

Portanto, Hebe – A Estrela do Brasil (2019) é muito interessante como obra fílmica, pois consegue captar desde o jovem até o público mais velho e ainda funciona como forma de apresentar para os mais novos quem foi a mulher que dominou a TV brasileira por mais de 30 anos.

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