Objetos Cortantes: perturbador, sombrio e macabro

A narrativa de Gillian Flynn consegue transmitir elementos perturbadores e sombrios mesmo em momentos de pouca tensão.

Camille Preaker trabalha como repórter em um jornal de pouco prestígio em Chicago, até ser mandada pelo seu chefe de volta á sua cidade natal, para fazer uma cobertura sobre uma série de assassinatos na até então pacata, Wind Gap. Mas ao longo deste regresso, e do reencontro com sua problemática família, Preaker se vê cada vez mais submersa no caso e descobre fatos que passam a afeta-la psicologicamente.

Não é fácil desgrudar-se da narrativa de Gillian Flynn, é simplesmente atrativa a forma como ela conduz toda a história, até os meros detalhes descritos em pequenas ações dos personagens são carregados com emoções sombrias e perturbadoras, fazendo o leitor se envolver no clima tenso e claustrofóbico dos acontecimentos em Wind Gap.

Mesmo sendo um livro relativamente curto com apenas 250 páginas, Flynn consegue abordar elementos que permitem o leitor sentir com realismo os dramas e a tensão psicológica vivenciados por seus personagens em uma descrição minuciosa. A escrita da autora, também desperta atenção por abordar assuntos com um tom sarcástico em algumas cenas.

“Damas devem controlar seus corpos, porque os meninos não conseguem controlá-los.”

Página 114

Camille Preaker é uma protagonista extremamente humana, os problemas psicológicos enfrentados por ela durante o decorrer de sua infância até a fase adulta, são reflexos dos problemas familiares vivenciados ao longo dos anos. As tendências a auto-mutilação e o alcoolismo, servem como refúgio á dor psicológica que a protagonista sente, principalmente pela perda precoce da irmã Marian. O corpo demarcado por palavras se torna uma espécie de mapa de emoções vividas por ela, cada palavra marcada em sua pele é simbólica.

Adora, é uma personagem extremamente controladora e manipuladora. Enquanto, Amma, possui uma personalidade de uma garota mimada e de extrema carência. A relação de mãe e filhas entre Adora, Camille e Amma, traz momentos perturbadores e intrigantes á obra.

Eliza Scanlen (Amma), Amy Adams (Camille Preaker) e Patricia Clarkson (Adora)

A produção da HBO, consegue ser fiel a atmosfera macabra da obra literária de Gillian Flynn, os elementos sonoros, fotográficos, incluindo as escolhas de figurinos, agregam positivamente ao longo dos oito episódios.

As atuações femininas são o grande destaque da produção, Patricia Clarkson (Adora), Eliza Scanlen (Amma) e Amy Adams na pele da repórter Camille Preaker, que domina com veracidade o protagonismo da série, sua atuação consegue captar o realismo dos problemas psicológicos descritos no livro.

A minissérie lançada em julho desse ano vem despertando atenção do público, com uma trama sombria e dramática além de atuações louváveis dignas á grandes premiações.

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